Em evento, Novo Hamburgo dá exemplo de coleta seletiva implementada há 15 anos 

Eduarda Costa

Em evento, Novo Hamburgo dá exemplo de coleta seletiva implementada há 15 anos 

Na constante tentativa de implementar novos hábitos e promover um comportamento mais sustentável em Santa Maria, o Comitê pelo Meio Ambiente organiza periodicamente espaços de discussão sobre os temas ambientais. Reunindo todos os envolvidos no sistema, desde representantes de órgãos públicos e privados, recicladores e a sociedade civil, são apresentadas propostas, acertos e erros já enfrentados ao longo dos anos na cidade. 

Voltados ao debate sobre a coleta seletiva, o evento desta sexta-feira recebeu Cristiane Hermann, diretora de limpeza urbana de Novo Hamburgo, para um bate-papo sobre o modelo de coleta seletiva implementado. Em sua apresentação, a diretora explicou a estrutura inicial, como foram feitos os contratos e como a cidade evoluiu durante os quase 15 anos de implementação. 

Após a exposição, houve espaço para dúvidas dos convidados, em uma conversa construtiva para estruturação de um modelo de separação tão urgente para a comunidade de Santa Maria.

Uma experiência promissora

Antes de a coleta seletiva ser estruturada em Novo Hamburgo, os resíduos domiciliares eram enviados para uma central e descartados ao ar livre. Os catadores precisavam fazer a seleção direto na montanha de lixo, situação, por vezes, insalubre para os profissionais. 

Apenas em 2009 a coleta seletiva deu os primeiros passos, através do Programa Cata Vida, que funcionou por 10 anos até se tornar uma política pública do município. Agora, quase 15 anos depois, a avaliação da diretora de limpeza urbana é que a cidade ainda falha na conscientização, pois falta o entendimento da comunidade de que o primeiro passo da coleta é feito dentro de casa, durante a separação dos resíduos. 

– Quebrar uma coisa que vem acontecendo há anos, para implementar uma atividade nova, é muito difícil. Temos toda a problemática da educação ambiental e da conscientização das pessoas, de entenderem  que a sacola da frente de casa não some em um passo de mágica, ela vai para um lugar, alguém vai abrir essa sacola e precisa separar esses materiais – relembra Cristiane. 

O programa 

O Programa Cata Vida, política pública de gerenciamento de resíduos desde o ano de 2019, tem contrato com as cooperativas por dispensa de licitação. Na atividade são 120 cooperados, na estrutura, três galpões de triagem e uma central com 72 catadores, além de dois galpões da coleta seletiva. 

Com roteiros e horários, a cidade é dividida por setores e o recolhimento ocorre semanalmente, conforme demanda de cada local. No momento, apenas três bairros não são contemplados, porém, se os moradores realizarem a separação dos materiais no momento do descarte, o material será destinado para reciclagem assim que chegar na usina. 

Em quantidade, a cidade gera entre 180 a 200 toneladas de resíduo por dia, sendo 60% apenas de lixo orgânico. São aproveitados, mensalmente, mais de 200 toneladas de recicláveis, e todo material é de responsabilidade dos catadores. Ao fim de cada mês, é entregue à prefeitura um relatório de todas as quantidades e valores retirados da triagem.

Em contrapartida ao contrato, são realizadas ações de educação ambiental nas escolas, para divulgação do trabalho e conscientização de separação do lixo. 

– A questão do gerenciamento dos resíduos é comum em todos os municípios, mudam as características da comunidade, mas o problema é o mesmo. A gente chegou no limite, ou a gente faz esse tema de casa ou a gente vai colapsar, já passou da hora, não há mais como enterrar lixo, temos que fazer o gerenciamento de forma eficiente – afirma Cristiane.

Catadores são formalizados

Interessados em fazer parte da cooperativa precisam se inscrever na secretaria de desenvolvimento social para serem são encaminhados para as cooperativas, que analisam as adesões. A prefeitura de Novo Hamburgo trabalha constantemente para conscientizar e auxiliar os catadores a juntarem-se às cooperativas e entrarem para o formato formal. 

Mesmo assim, o número de pessoas que preferem viver na informalidade ainda é alto, e também existem campanhas  para eles pelo programa “Tem lixo na casa do meu vizinho”, com chamamento para capacitá-los, ensinando quais materiais são úteis e como armazenar.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Morre o maestro Frederico Richter, fundador da Orquestra Sinfônica de Santa Maria Anterior

Morre o maestro Frederico Richter, fundador da Orquestra Sinfônica de Santa Maria

Pouco movimento marca retomada das aulas do segundo semestre de 2022 da UFSM Próximo

Pouco movimento marca retomada das aulas do segundo semestre de 2022 da UFSM

Geral